A mesma rua, dois olhares. O mundo não muda — muda a lente com que o vemos. Consoante o nosso estado de espírito e a fase da vida, a mesma realidade pode parecer cinzenta ou cheia de luz.
Decidi colocar por escrito algumas palavras que poderão, em alguns casos, ajudarem outras pessoas que passem por problemas na sua vida, mas também para me ajudar a reforçar pensamentos positivos. Cada vez que eu ler isto irá ser algo que que reforce a ideia de que eu importo, de que os meus importam.
O meu nome é Gonçalo (nome fictício) e neste momento encontro-me em recuperação numa Comunidade Terapêutica para jovens. Temos todos um objetivo comum e somos todos diferentes. Isto é um grande desafio.
Nestes últimos 7 meses que me encontro aqui, fui pensando que, num sítio como este, apenas haveria coisas más, uma vez que não estou no meu “Safe Place” e que estaria longe das drogas.
Mas além de ter descoberto que há coisas bem melhores que as drogas, também descobri que existem coisas boas em estar nesta Comunidade Terapêutica.
Voltei a ver o mundo que já não via há muito tempo. Percebi que não estou sozinho nesta vida e mais importante…comecei pouco a pouco a valorizar-me e a deixar a vida passada para trás.

Agora penso no presente e preocupo-me com o futuro (vou conseguir), que curso vou tirar, ter a minha própria casa entre outras (coisas da vida, umas simples outras que tem que ser conquistadas). São ideias que há uns meses atrás nem me passavam pela cabeça.
Agora sim , tenho vivido (e não é fácil) experiências e momentos (sinceramente) felizes, um sorriso que me sai, às vezes gargalhadas. Agora sei, nem tudo é mau e tenho que aproveitar esta etapa da vida.
ASSIM EU ME VEJO E VEJO O MUNDO: EU IMPORTO
Gonçalo (nome fictício). Mas podia ser o nome de muitos outros jovens
