{"id":2964,"date":"2018-01-22T01:02:12","date_gmt":"2018-01-22T01:02:12","guid":{"rendered":"https:\/\/artmagazine.pt\/?p=2964"},"modified":"2018-12-19T10:47:23","modified_gmt":"2018-12-19T10:47:23","slug":"um-novo-caminho-poetico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/artmagazine.pt\/index.php\/2018\/01\/22\/um-novo-caminho-poetico\/","title":{"rendered":"Um (novo) caminho po\u00e9tico"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\">\u00a0 \u00a0Escrever poesia tem o dom de espelhar a humanidade, colmatar os vazios internos e transformar a pr\u00f3pria vida. E \u00e9 assim que o jovem Alef Kau\u00e3, utente da ART, se sente quando escreve poesia: confortado, completo e repleto de vontade de mudan\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Mas antes de mais, conv\u00e9m conhecer um pouco mais da sua hist\u00f3ria, que o mesmo descreveu:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00a0 \u00a0O meu nome \u00e9 Alef Kau\u00e3, tenho 16 anos e sou natural do Brasil. A minha inf\u00e2ncia n\u00e3o foi muito generosa comigo por\u00e9m n\u00e3o foi m\u00e1 de todo. Venho de uma fam\u00edlia com poucas posses, por atos de ego\u00edsmo e gan\u00e2ncia. Fui criado pela minha av\u00f3 at\u00e9 aos 10 anos, n\u00e3o era f\u00e1cil para ela com 60 anos trabalhar e alimentar quatro bocas, a dela, a minha e a dos meus primos. Uma semana depois do meu d\u00e9cimo segundo aniversario vim para Portugal, com o intuito de come\u00e7ar uma vida nova e tirar um peso de cima da minha av\u00f3. Comecei a escrever poesia e prosa quando vi um livro chamado \u201cA odisseia de Homero\u201d. Fascinava-me a capacidade que algu\u00e9m tinha para escrever e fazer rimas com palavras. O que me fez ainda mais querer escrever poesia foi lembrar-me de uns rabiscos que via o meu pai fazer que apenas depois de tanto tempo eu descobri que era poesia. A partir da\u00ed tive cada vez mais sede de ler e escrever, de estudar poetas famosos e menos conhecidos. Escrevo o que me vai na alma, no pensamento, no cora\u00e7\u00e3o. Esque\u00e7o o mundo quando escrevo e deixo tudo entre a caneta, o papel e o cora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O poema que iremos apresentar de seguida tem como nome \u201cCaminho\u201d e foi escrito pelo jovem Alef Kau\u00e3.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Cuidado com a pista que a pista est\u00e1 molhada<\/p>\n<p>Para na caminhada n\u00e3o desestabilizar<\/p>\n<p>Um lado meu coloca cr\u00e9dito<\/p>\n<p>Quero subir mesmo sabendo que do outro lado vem d\u00e9bito<\/p>\n<p>\u00c9 pesque e pague, pesque o peixe, o peixe \u00e9 o sonho<\/p>\n<p>Se tu n\u00e3o pescas primeiro algu\u00e9m pesca e coloca pre\u00e7o<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Eu desci nesse terreno de concreto<\/p>\n<p>S\u00f3 para olhar na pupila dos espertos<\/p>\n<p>Eu j\u00e1 olhei na pupila do diabo<\/p>\n<p>E nem com ch\u00e1 de camomila tu matas meu \u00f3dio cego<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Mas as vezes quem faz o versado n\u00e3o faz a vers\u00e3o<\/p>\n<p>E na maioria das vezes quem est\u00e1 mais errado faz sempre quest\u00e3o<\/p>\n<p>O angustiado por meses \u00e9 sempre o mais s\u00e3o<\/p>\n<p>E quando minha face do clique se aplica na quina da bifurca\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>Mas por outro lado \u00e9 t\u00e3o complicado o extremo de ambos os lados<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O pouco sigilo composto \u00e0 mis\u00e9ria, mat\u00e9ria do amaldi\u00e7oado<\/p>\n<p>Fui de forma severa instigado, fui castigado<\/p>\n<p>De medo, receio e receito estou anestesiado<\/p>\n<p>Talvez seja a prova mais viva, a prova mais linda, mais improv\u00e1vel<\/p>\n<p>A morte separa quem sabe a sa\u00edda de quem anda menos cansado<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>S\u00f3 posso seguir o que posso sentir, nesse caso \u00e9 desconfort\u00e1vel<\/p>\n<p>A cartola, o coelho visto com cegueiras n\u00e3o fazem do mago o culpado<\/p>\n<p>Eu vejo as imagens, registo no som a viagem do tom<\/p>\n<p>Maior do que o r\u00e1dio e a televis\u00e3o, somos a radia\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>N\u00e3o me deixariam viver em paz porque eu j\u00e1 nem vivo mais<\/p>\n<p>S\u00e3o multinacionais, digitais e espirituais<\/p>\n<p>N\u00e3o posso nem dizer sobre os seus rituais conspiracionais<\/p>\n<p>Mas posso transmitir e receber sinais<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Voc\u00ea n\u00e3o sabe a metade do que eu sigo<\/p>\n<p>Eu n\u00e3o sigo nem a metade do que eu vejo<\/p>\n<p>Eu vejo tanto que chega a doer de medo<\/p>\n<p>Sabe a verdade? Eu compartilho esse castigo<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Ningu\u00e9m para falar o que queres ouvir<\/p>\n<p>Algu\u00e9m que queira ouvir o que eu quero dizer?<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m vou me libertar, eu decidi<\/p>\n<p>Por\u00e9m eu estou acorrentado&#8230; acorrentado em qu\u00ea?<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0 \u00a0Escrever poesia tem o dom de espelhar a humanidade, colmatar os vazios internos e transformar a pr\u00f3pria vida. E \u00e9 assim que o jovem Alef Kau\u00e3, utente da ART, se sente quando escreve poesia: confortado, completo e repleto de vontade de mudan\u00e7a. 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