{"id":2715,"date":"2017-07-05T15:29:07","date_gmt":"2017-07-05T15:29:07","guid":{"rendered":"https:\/\/artmagazine.pt\/?p=2715"},"modified":"2017-07-05T15:32:50","modified_gmt":"2017-07-05T15:32:50","slug":"disturbios-na-adolescencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/artmagazine.pt\/index.php\/2017\/07\/05\/disturbios-na-adolescencia\/","title":{"rendered":"Dist\u00farbios na adolesc\u00eancia"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\">Tudo come\u00e7ou quando tinha por volta de uns onze anos, sofria de bullying por supostamente ser \u201cgorda\u201c e \u201cfeia \u201c. Ao in\u00edcio tentei n\u00e3o ligar, mas ap\u00f3s uns messes \u00a0sentia-me revoltada e apenas queria provar que podia ser magra e bonita (acho que s\u00f3 queria ser aceite).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Era nova e tinha medo de desabafar, achava que tinha de emagrecer custasse o que custasse. Foi a\u00ed que apareceu a bulimia. Na altura n\u00e3o fazia ideia do impacto que iria ter na minha vida, comecei a pesquisar em alguns sites que incitavam jovens com problemas com o seu corpo a seguir \u00e0 risca planos de dietas. Lembro-me da primeira vez em que forcei o v\u00f3mito. Estava sozinha em casa e comecei a olhar-me ao espelho, comecei a chorar e a pensar que a \u00fanica sa\u00edda daquele sofrimento era ser magra!\u00a0 Recordo-me de ter sentido um enorme al\u00edvio, achava que era uma situa\u00e7\u00e3o normal\u00edssima e que estava sob controlo. Enganei-me. Cada dia que passava\u00a0 l\u00e1 estava eu a faz\u00ea-lo, por mais peso que perdesse parecia que nunca era nem nunca seria o suficiente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Foi nessa altura que entrara um novo v\u00edcio na minha vida a \u201cautomutila\u00e7\u00e3o \u201c algo que ainda luto para que desapare\u00e7a de vez na minha vida\u2026H\u00e1 quem pense que \u00e9 para chamar \u00e0 aten\u00e7\u00e3o \u00a0e outros que acham que \u00e9 uma coisa de malucos, mas apenas quem passa por isso consegue compreender. Para mim era a minha maneira de aliviar tudo o que sentia psicologicamente, fazendo um simples corte. Parecia que a dor que me atormentava libertava-se e expandia-se fisicamente. Estava numa fase onde nada na minha vida fazia sentido.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Houve alturas em que nem ao espelho conseguia olhar por sentir um tremendo nojo do meu corpo, alturas em que nem de casa queria sair, pois achava que era uma aberra\u00e7\u00e3o. Tempos em que tinha medo de fazer o que uma crian\u00e7a feliz fazia. Isto j\u00e1 aconteceu h\u00e1 alguns anos. Hoje tenho 15 anos, encontro-me na Art \u00a0e por vezes ainda me v\u00eam \u00e0 memoria aquilo que me chamavam. Passou j\u00e1 uns anos, mas continuo a ter problemas em aceitar o meu corpo, em olhar-me ao espelho e a confiar nas pessoas por simplesmente pensar que v\u00e3o sempre gozar comigo por ser como sou. Ainda carrego marcas f\u00edsicas e psicol\u00f3gicas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Sempre ouvi dizer que paus e pedras podem partir os ossos mas palavras podem fazer uma pessoa querer morrer. Se calhar se eu tivesse contado a algu\u00e9m o que se passava comigo, n\u00e3o teria chegado ao ponto a que cheguei. Se conheces algu\u00e9m que sofra de bullying n\u00e3o fiques parado a assistir, fala com algu\u00e9m, conta o que se passa, n\u00e3o deixes que um amigo teu ou conhecido chegue ao ponto de se cortar e de se sentir mal para o resto da vida.\u00a0 Tu tens o poder de ser feliz \u00a0e n\u00e3o deves deixar que nada nem ningu\u00e9m te rebaixe!<\/p>\n<p>Autor: palavras de uma utente da ART<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tudo come\u00e7ou quando tinha por volta de uns onze anos, sofria de bullying por supostamente ser \u201cgorda\u201c e \u201cfeia \u201c. Ao in\u00edcio tentei n\u00e3o ligar, mas ap\u00f3s uns messes \u00a0sentia-me revoltada e apenas queria provar que podia ser magra e bonita (acho que s\u00f3 queria ser aceite). 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