No passado dia 25 de outubro pelas 15 horas fomos participar numa prova de corta-mato contra a outra comunidade ART do Norte (Quinta do Horizonte). Foi uma experiência única, encarada por nós como um objetivo individual e coletivo. Estávamos a ter uma semana em que o espírito de equipa não estava no auge, porém nesse dia reunimos e decidimos que estava na hora de mostrar a nossa união e força!

De seguida, a vencedora do corta-mato feminino, Lara, conta-nos na primeira pessoa a sua experiência:

“Agora sim, tenho a certeza que o espírito da ART de Magrelos me corre nas veias…Depois de alguns treinos chegou o dia do corta-mato…

Sentia-me nervosa um pouco ansiosa, as minhas mãos tremiam, o coração tinha um batimento acelerado e intenso, tinha a garganta seca, sentia um friozinho na barriga, é algo que não e fácil de explicar confesso… Eu carreguei uma responsabilidade enorme, era a única ca de casa que ia correr contra as cinco raparigas de Paredes e como é obvio queria deixar naquele campo o nome da ART Quinta Do Sol marcado pelo esforço, pelo suor, pelo sacrifício e pela conquista! Quando cheguei ao local da prova estava focada no percurso, mas não deixei de sentir tudo aquilo que já referi. Os monitores presentes falaram comigo e deram-me força, mas o monitor Pavlo notou que mesmo assim eu estava tensa, então chamou-me e logo me deu o abraço que eu precisava. Teve uma conversa e incentivou-me a dar o meu melhor e assim foi.

Deram a partida e eu comecei a correr, pus em prática o que me tinham dito, controlei bem a respiração. Corri ao meu ritmo, mas sem me afastar da rapariga que ia em primeiro lugar… Ouvia os meus colegas a puxar por mim, eles realmente estavam comigo! Cada passo que dava a equipa acompanhava-me com um olhar de força, o monitor Pavlo estava do meu lado a orientar-me, a apoiar-me para que eu desse o meu melhor. Na última volta dei o sprint até chegar à meta. Eu consegui!

Representei a minha casa da forma que ela merece. Senti-me orgulhosa de mim mesma, levei o desafio até ao fim com garras e dentes, acreditei em mim e fui vencedora pois consegui vencer a dor. Após terminar a prova dei um abraço bem forte à equipa, um momento que nunca vou esquecer. Quando tive oportunidade dei os parabéns a todas as raparigas da ART da Quinta do Horizonte, fizeram uma boa prova e gostei da atitude que tiveram (houve espírito de equipa).

Logo depois da prova feminina foram os meus colegas correr, gritei tanto por eles e de facto todos deram o seu melhor! O vencedor foi o meu colega Wilson! Fiquei duplamente feliz, pois trouxemos para a nossa casa as duas vitórias! Quando a prova deles terminou estivemos a conviver com a outra ART, fizemos o nosso grito, fizemos o nosso Aka que mostra a nossa força! Quando cheguei a casa e dei a novidade à minha gestora mostrando-lhe o certificado de 1º lugar, abracei-a, partilhando a minha felicidade e orgulho com ela!

Ser ART de Magrelos é querer, é chorar, é pedir ajuda, é sorrir, é ser amigo, é duvidar, é gritar, é confiar, é união, é ter medo mas sempre firme, é não desistir, é aprender verdadeiramente a voar…A Quinta do Sol é um lugar misterioso pois tanto chove como brilha, tanto nos desiludimos como a esperança volta a nascer no mesmo lugar onde morreu, é um jogo de cardíacos onde só quem ca esta entende!”

Notícia redigida pelos utentes Lara e Wilson

 

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