Vários estudos na área da delinquência juvenil defendem que a atividade física, através da prática do desporto, é uma das melhores formas de combater a delinquência juvenil, uma vez que promove um excelente enquadramento dos jovens no convívio social, com espírito solidário, de cooperação e de entreajuda, de lealdade, de coragem, de altruísmo, mas acima de tudo, de camaradagem. Neste sentido, são várias as atividades físicas que são praticadas nas nossas comunidades terapêuticas ao longo das semanas. Na ART Quinta do Sol os jovens têm treinos de kickboxing semanais e valorizam-nos muito. De seguida será apresentado um texto reflexivo sobre a importância de um destes treinos para um jovem utente.

  “Tudo começou numa quinta-feira às 16:45h quando regressava à comunidade terapêutica depois de uma atividade ocupacional. Passei pelo monitor que ia embora e ele disse-me num tom de voz um pouco alegre que eu iria ter uma surpresa. A primeira coisa que me veio à cabeça foi que na sexta-feira não iria haver treino de kickboxing, mas limitei-me a guardar esse pensamento para mim. No fim do lanche percebi que a tal surpresa era que todos os alunos do monitor com quem costumamos treinar kickboxing (monitor Pavlo) iam ter a oportunidade de ir a um treino com o mestre do nosso treinador, o também nosso monitor Luís Rasquinho – que foi quem ensinou ao monitor Pavlo grande parte da pessoa que ele é hoje em dia não só a nível de desporto, mas também a nível da vida e dos valores. Estávamos muito entusiasmados pois não é todos os dias que temos a oportunidade de treinar com uma pessoa tão sábia no kickboxing.

   Quando chegamos pegamos no equipamento e fomos à “luta”. Foi um treino muito exaustivo, mas também um treino muito divertido e bastante produtivo pois, adquiri novos conhecimentos acerca da arte a nível ético e moral. Quanto ao nível ético aprendi que devíamos ter sempre o máximo de respeito pelos que não conhecemos. A nível moral, aprendi que devemos ser sempre humildes porque se não o fizermos não seremos levados a 100% e as pessoas não iriam gostar de nós.

   Nesta saída consegui aperceber-me de algumas relações entre algumas pessoas, nomeadamente entre os meus dois monitores, que percebi terem uma ligação muito forte e que são pessoas mais descontraídas, mais alegres, mais respeitadas, mas que continuam a ter os mesmos valores que nos transmitem na comunidade. Outra relação que apreciei foi a dos 2 monitores com um atleta do monitor Luís, o Bruno Borges.  Aí eu consegui mesmo sentir a energia dos “old glory days” que foi transmitida por 3 adultos que já se conhecem há algum tempo e que interagiram de maneira que até eu me senti feliz por estarem a treinar juntos de novo. Foi um bom momento e para além de mais foi saudável.

   E foi daí que eu retirei a aprendizagem mais importante desse dia, a razão também pela qual eu escolhi ”LR FIGHT TEAM” como título deste texto. A LR FIGHT TEAM não e só um ginásio, é uma família que se reúne naquele local várias vezes por semana não só para treinarem, mas para também se divertirem e trabalharem em prol de algo muito positivo. Não é o tatami nem o esforço nem a placa a dizer “LR FIGHT TEAM” mas sim as pessoas que fazem parte desta grande família que fazem a diferença. Por isso, aprendi uma coisa extremamente importante: esta grande família não existe só dentro do treino, existe também na sociedade e existe em cada uma das pessoas que lá treinam, desde o mestre Luís Rasquinho até ao aluno mais recente.

   Deste modo quero agradecer aos meus monitores por me terem proporcionado este grande privilégio de me terem deixado treinar com eles naquele grandioso ginásio e me terem ensinado valores tão importantes para o desporto e para a vida.

Obrigado monitor Luís Rasquinho.

Obrigado monitor Pavlo Stepanov.”

 

Texto pelo utente Pedro Almeida

 

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