A ART procura ensinar aos jovens os valores mais importantes da vida nas mais pequenas coisas. Para além de os motivar a ser melhores e superaram-se, é-lhes também passada a importância que tem a confiança em nós mesmos e o valor impagável de um amigo verdadeiro.

Quem escreve desta vez é o jovem Pedro Almeida, utente da ART Magrelos. Este jovem acompanhou o nosso psicólogo a uma palestra e acabou por sair desta mais rico do que esperava: percebeu que tinha ao seu lado um verdadeiro amigo e percebeu, mais uma vez, que era capaz de ultrapassar os seus limites.

“Tudo começou na tarde de segunda-feira dia 26 de Fevereiro quando o doutor Diogo abriu a porta do refeitório e começou a explicar que tinha sido convidado para dar uma palestra sobre viver dentro e fora da caixa, no dia 2 de Março na casa da cultura em Paredes, e decidiu que durante o resto da semana todos os jovens iriam estar em avaliação porque um de nós iria com ele. Também referiu que esse jovem iria estar um tempo num bar com o doutor a conviver para que tenha uma experiência de como é melhor divertir-se sem drogas.

Quando o doutor acabou de explicar tudo a primeira coisa que me veio à cabeça foi como seria bom ser eu o escolhido, mas ao mesmo tempo tive o pensamento realista de que nunca seria eu o escolhido.

Nessa mesma noite um dos meus melhores amigos na comunidade veio ter comigo e pediu-me ajuda para conseguir ser ele o escolhido, e eu com todo o gosto ajudei-o o melhor que soube.

Os dias foram-se passando e foi na manhã do dia 2 de março que o doutor Diogo anunciou que o jovem escolhido para ir com ele fui eu, quando me apercebi do que tinha acabado de acontecer fiquei triste por não ter sido o meu amigo a ganhar, mas ao mesmo tempo contente por ter sido eu a ganhar. Foi uma sensação muito estranha que eu acho que nunca tinha sentido, eu não acreditava que conseguia ganhar.

A seguir fui falar com o meu amigo, expliquei-lhe o que aconteceu, ele deu.me um abraço e ficou contente por mim, mal acabamos de falar fomos para o quarto e ele ajudou-me a preparar o que eu ia dizer na palestra, escrevi com a ajuda dele uma cábula numa folha.

A hora estava a se aproximar cada vez mais e eu não tinha uma roupa apropriada para o momento. Foi então que esse meu amigo, o que gostava de ter sido escolhido, disse que tinha roupa para me emprestar! Depois disto o doutor foi-me buscar e fomos jantar a um restaurante e adorei.

Depois do jantar, seguimos para a casa da cultura de Paredes. Eu estava nervoso e não parava de olhar para a cábula que o Rúben me ajudou a fazer, até que o doutor disse para eu a guardar porque não iria precisar dela. O doutor acredita muito nas minhas capacidades até acredita mais que eu.

Quando chegou o último orador a palestra começou. O doutor deu o seu testemunho e fiquei a vê-lo de outra maneira, não teve uma vida fácil mas lutou na mesma e conseguiu, um verdadeiro exemplo de sucesso. Depois subi ao palco e comecei a falar: contei a minha história de vida que ao contrário da do doutor foi uma vida sempre dentro da caixa, dependente de outras pessoas e das drogas. Quando acabei de falar percebi melhor porque é o doutor me tinha escolhido a mim, eu era o outro lado da moeda. O doutor era um exemplo de viver fora da caixa e eu era um exemplo de quem vive dentro da caixa. Aplaudiram-me no final e seguiram-se os discursos excelentes dos outros oradores com os quais aprendi alguma coisa.

Mal a palestra terminou e os aplausos pararam, uma jornalista foi direta ao Doutor Diogo para lhe fazer perguntas. Quando as perguntas para o doutor Diogo se esgotaram foi a minha vez.

Quando saímos de dentro da casa da cultura já era meia noite e meia e só chegamos a casa à uma da manhã. Enquanto não adormecia, refleti na minha noite e consegui tirar algumas conclusões:

  1. E preciso estar no lugar certo à hora certa – Afinador de pianos
  2. Não podes ter medo de arriscar – Piloto de corridas
  3. Tens de acreditar em ti próprio – Doutor Diogo Soares
  4. E para último o mais importante: tenho um grande amigo mesmo a meu lado o nome dele é Rúben Santos. Não o posso perder e tenho de aproveitar tudo o que ele tem para me ensinar, porque não era qualquer um que fazia o que ele fez, de pôr os ressentimentos de lado, ficar feliz por mim e ajudar-me mesmo. Apesar de ele lá no fundo querer estar no meu lugar. Obrigado Rúben!”

Texto pelo utente Pedro Almeida

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *