No passado dia 25 de janeiro, pelo nevoeiro da manhã, seguimos com o Dr. Diogo da nossa Quinta rumo a Viseu, a convite das técnicas do programa Viseu Educa, Carla Leitão e Vilma Silvestre. Uma vez chegados a Viseu entrámos numa escola que parecia estar deserta e passado pouco tempo fomos convidados a subir ao 1º andar da escola para irmos à biblioteca onde iria decorrer a palestra. Uma vez instalados no nosso pequeno palco as pessoas foram entrando e a plateia começou-se a formar e rapidamente estávamos perante cerca de 30/40 alunos do 8º e do 9º ano, e uma dúzia de professores. Iniciámos a palestra com uma introdução mostrando um vídeo da nossa “casa” com a intenção de mostrar aos jovens e aos professores o que é ART. De seguida, o Francisco iniciou o seu discurso dando o seu testemunho como jovem com um passado de risco e de consumos. De seguida a Graciana fez o mesmo e por fim fi-lo eu.

            Do meu ponto de vista, achei que os jovens estudantes ficaram estupefatos com o nosso testemunho. Muitos deles, a meu ver, não tinham noção do que era uma droga, uma dependência; muito menos achavam possível um jovem adolescente ser toxicodependente e praticar crimes do mais banal ao mais horrendo. Uma vez terminada, alguns jovens ficaram para nos cumprimentar e ofereceram-nos um caixote cheio de livros para a nossa biblioteca. Outros tantos jovens choraram talvez por pena, por medo e receio, não sei… para além dos jovens alunos, algumas professores revelaram-se tocados e emocionados, pediram-nos conselhos, fizeram perguntas e agradeceram muito o nosso testemunho.

            Da parte da tarde, fomos para uma escola com outro tipo de público, de outra faixa etária. Então, desta vez num auditório iniciamos a nossa palestra. Desta vez, com mais jovens presentes, cerca de 75, comecei eu a falar contando grande parte da minha vida e dando os meus conselhos e testemunho enquanto ex-jovem em risco e ex-consumidor. Seguidamente, a Graciana e o Francisco. Desta vez, fomos atacados com muitas perguntas. Era notável que estávamos perante jovens menos infantis e jovens mais curiosos. Acabámos a nossa missão com um discurso do nosso psicólogo Dr. Diogo, no qual foi notável o espanto dos alunos e no qual o Dr. deu, com razão, relevância à importância das escolhas, das companhias e do estudo. Pelo contrário, mostrou aos jovens através de sábias palavras a problemática que é o abandono escolar, o consumo e o crime. Uma vez terminada, foram vários os jovens que vieram ao nosso encontro, muitos comovidos, outros tantos com ar de desprezo para com o tema.

           Mas, nisto tudo, veio ao nosso encontro uma jovem muito comovida a pedir ajuda para o seu irmão que pelo que nos contou está “embarcado” neste mundo horrível que são as drogas e o crime.

       É bom saber, como diz o Dr. Diogo, que pelo menos uma pessoa captou o nosso discurso e o interiorizou, se bem que, felizmente, foram mais os que o fizeram.Esta foi sem dúvida uma fantástica experiência que jamais esquecerei e que quero poder fazer de preferência a minha vida toda, porque é aliciante e gratificante poder ajudar e contribuir para um futuro melhor e para mais vidas saudáveis, felizes e menos vidas destruídas e infelizes. Esta foi uma, senão o melhor, a nível terapêutico que tive na ART. Espero repetir e agradeço do fundo do coração a quem me permitiu ter esta experiência.

 

texto por Guilherme Brás – utente da ART Quinta do Sol

 

   

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