Tudo começou quando tinha por volta de uns onze anos, sofria de bullying por supostamente ser “gorda“ e “feia “. Ao início tentei não ligar, mas após uns messes  sentia-me revoltada e apenas queria provar que podia ser magra e bonita (acho que só queria ser aceite).

Era nova e tinha medo de desabafar, achava que tinha de emagrecer custasse o que custasse. Foi aí que apareceu a bulimia. Na altura não fazia ideia do impacto que iria ter na minha vida, comecei a pesquisar em alguns sites que incitavam jovens com problemas com o seu corpo a seguir à risca planos de dietas. Lembro-me da primeira vez em que forcei o vómito. Estava sozinha em casa e comecei a olhar-me ao espelho, comecei a chorar e a pensar que a única saída daquele sofrimento era ser magra!  Recordo-me de ter sentido um enorme alívio, achava que era uma situação normalíssima e que estava sob controlo. Enganei-me. Cada dia que passava  lá estava eu a fazê-lo, por mais peso que perdesse parecia que nunca era nem nunca seria o suficiente.

Foi nessa altura que entrara um novo vício na minha vida a “automutilação “ algo que ainda luto para que desapareça de vez na minha vida…Há quem pense que é para chamar à atenção  e outros que acham que é uma coisa de malucos, mas apenas quem passa por isso consegue compreender. Para mim era a minha maneira de aliviar tudo o que sentia psicologicamente, fazendo um simples corte. Parecia que a dor que me atormentava libertava-se e expandia-se fisicamente. Estava numa fase onde nada na minha vida fazia sentido.

Houve alturas em que nem ao espelho conseguia olhar por sentir um tremendo nojo do meu corpo, alturas em que nem de casa queria sair, pois achava que era uma aberração. Tempos em que tinha medo de fazer o que uma criança feliz fazia. Isto já aconteceu há alguns anos. Hoje tenho 15 anos, encontro-me na Art  e por vezes ainda me vêm à memoria aquilo que me chamavam. Passou já uns anos, mas continuo a ter problemas em aceitar o meu corpo, em olhar-me ao espelho e a confiar nas pessoas por simplesmente pensar que vão sempre gozar comigo por ser como sou. Ainda carrego marcas físicas e psicológicas.

Sempre ouvi dizer que paus e pedras podem partir os ossos mas palavras podem fazer uma pessoa querer morrer. Se calhar se eu tivesse contado a alguém o que se passava comigo, não teria chegado ao ponto a que cheguei. Se conheces alguém que sofra de bullying não fiques parado a assistir, fala com alguém, conta o que se passa, não deixes que um amigo teu ou conhecido chegue ao ponto de se cortar e de se sentir mal para o resto da vida.  Tu tens o poder de ser feliz  e não deves deixar que nada nem ninguém te rebaixe!

Autor: palavras de uma utente da ART

 

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